domingo, 20 de dezembro de 2009
Seasons' Greetings!/Boas Festas!
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Marvin's Life Choices
domingo, 6 de setembro de 2009
O Flamingo e os Pombos


ou: X. Xenophilius
Estava determinada, em minha cabeça de 10 anos, a ter um monte de amigos, ser convidada para muitas festas, fazer meus trabalhos escolares e ser uma referência para todos os alunos. Esses pequenos sonhos dançavam em minha mente. Poderiam eles, finalmente, sair e andar livres pelo mundo? A resposta seria um firme não.
Não sei como consegui dormir, mas consegui. Passaram-se aquelas 12 horas e fui acordada pelas carinhosas mãos de minha amorosa mãe. Eram cerca de sete horas da manhã. Eu queria ter acordado antes, mas minha mãe insistiu para que eu dormisse o mais possível.
Desci da cama e corri para o guarda-roupa e agarrei o conjunto selecionado para aquele dia. Coloquei-o cuidadosamente sobre a cadeira. Uma camisa branca e bermudas roxas. Já que aquele era um dia especial, resolvi fazer tranças em meu cabelo. Após vinte minutos de tentativas inúteis, chamei minha mãe para o salvamento. Rápida e habilidosamente, ele fez duas firmes tranças que desciam de cada lado da minha nuca. O próximo passo era o café da manhã. Comi com inesperada velocidade, pois eu, normalmente, posso demorar até 30 minutos numa fatia de pão. Finalmente, estava na hora. Saímos para pegar o carro. Com borboletas no estômago, eu estava ansiosa para chegar à escola.
Todas as cabeças se viraram quando entrei na sala. Como sempre, pois já passei por isso outras vezes, eu estava atrasada. Ouvi leves sussurros. Olhei à minha volta e, então, a vi. Oh não, pensei, Alberta. A mesma Alberta que me fez chorar na quarta série. A mesma Alberta que fofocou sobre mim. A mesma Alberta que literalmente me afastou com suas pequeninas mãos (devidas à anormal pequena estatura) quando eu estava conversando com alguém. A mesma Alberta que, continuadamente, me disse para calar a boca quando eu estava falando. Aquela Alberta. Precisamente, aquela maldosa Alberta. E, para completar, ela estava sentada ao mesmo grupo de mesas no qual meu nome aparecia.
Aproximei-me. Meu punho cerrado e minha boca curvada apertando os lábios. Ela sorriu docemente e me convidou para sentar. Devolvi um sorriso falso. Teria falado alguma coisa se não tivesse sido distraída pela minha nova professora, Mrs. Bird.
Mrs. Bird era uma mulher quase do meu tamanho, cabelos ondulados puxados para trás. Em seu rosto via emoções que eu não conseguia entender. Ela me fez sinal para me sentar e me deu as boas-vindas em sua classe.
Relutante, sentei perto de Helena. Era bom que Helena estivesse no meio, entre eu e Alberta. Se assim não fosse, eu poderia bater em Alberta com meus lápis cheirando a chocolate. Bom, bater talvez não, mas o olhar fixo e o punho cerrado iriam parecer bem esquisitos. Meus pensamentos foram interrompidos por Helena, que sacudia violentamente meu punho. Ah, Helena, eu pensei.
Lembro quando a encontrei na terceira série. Ela era a autoproclamada “garota bacana”. Sendo brasileira, frequentemente tentava me puxar para conversas em português. Mas eu me recusava, pois não entendia uma só palavra do que ela falava. Depois disso, ela basicamente me ignorou.
“Tenho uma questão sobre nosso “tra---bba--lho”, ela soletrou lentamente a palavra.
Corrigi sua pronúncia. Ela continuou, descartando minha correção com um “o que for”, com o nariz empinado num típico gesto à la Miley Cyrus. Eu estava morrendo de vontade de lhe perguntar se ela havia cheirado algo de poderosamente fedorento, pois temia que seu nariz fosse alcançar os olhos. Controlei-me, tentando prestar atenção ao que ela queria.
Pedi-lhe, então, que esperasse um minuto, porque não tinha ouvido o que a professora queria que fizéssemos. Notei que Mrs. Bird desejava que decorássemos as peças de um quebra-cabeça. Cada aluno havia recebido uma peça e, após preenchida, ela deveria ser colada num mural para formar o quebra-cabeça completo. Sobre a folha havíamos de desenhar aquilo que nos representava e colocar nossos nomes na horizontal ou vertical, dependendo do formato da peça.
Helena sacudiu minha mão de novo. Desta vez, queria saber o que iria desenhar. Suspirei novamente, pensando em quanto pobre e limitada sua imaginação era.
“Faça o que você quiser”, lhe disse.
Ela me deu mais um de seus confusos olhares, e eu soltei uma risadinha, me dando conta de que essas expressões eram a única coisa para a qual ele possuía uma variedade. E comecei a trabalhar no meu desenho.
Quando terminei, observei cuidadosamente meu trabalho, analisei os detalhes e examinei os desenhos. Satisfeita, o entreguei à professora. Terminei antes de muita gente, assim colhi a oportunidade para falar com Alberta. Queria testá-la, queria ver como ela era após o verão. Antes, porém, perguntei-me se podíamos falar baixinho, pois não queria dar uma impressão ruim para a professora. Notei que todo mundo fazia isso, e me juntei.
Alberta também já havia terminado, e murmurou um “Oi” para mim. Tentei procurar por um sinal de lembrança do ano anterior, mas nada. Ela agia como se fôssemos melhores amigas que se conheciam há muito tempo. Como eu teria adorado dar-lhe uns tapas. Como ela ousava fazer de conta que nada tinha acontecido? Depois de tudo o que ela fez contra mim, como podia se fazer de inocente? Essas perguntas zumbiam violentamente em minha cabeça. E ela começou a falar. Simplesmente a falar, do ano escolar, de como era “esquisito” ter-me na mesma classe que a dela e outras coisas que não acompanhei direito.
Poderia ter ela se esquecido? Talvez, somente talvez, teria ela mudado...? Repensei os meus planos para o ano escolar. Certamente eu não poderia iniciá-lo com este gigantesco rancor dentro de mim, certo? Se eu lhe desse uma chance as coisas poderiam mudar para melhor, eu pensei.
Infelizmente, eu estava errada. Amargamente errada. De novo.
O dia estava terminando. Só faltava a aula do Specials. Relembrei o ano anterior. Artes, Mídia/Biblioteca, Educação Física (eu era a única que ocasionalmente a chamava de Educação Física, para todo mundo era o monótono E.F.), Música e a horrorosa, dolorosa e absurdamente histérica Guidance.
Detesto Guidance. Pensei na Mrs. Bumbard, a incapaz-de-absolutamente-nada mal fez algo para nos ajudar a lidar com os possíveis problemas nas relações. Aliás, ela nada fez. Seu Bingo do Valentão era um perfeito exemplo de seus métodos e habilidades. Ela ficava no centro da classe e lia em voz alta uma pergunta a respeito do que se deve fazer quando você receber um certo tipo de agressão. Logo ela mesma lia a pergunta. As pessoas que, em sua ficha de bingo, possuíam a resposta “certa”, pegavam seu botão e o colocavam na casinha correspondente da ficha. Não havia debate, nenhum pensamento envolvido. Quando, por algum motivo, começava uma conversa a respeito de situações que ordinariamente vivemos na escola, sua resposta padrão era: “Procure por um adulto responsável”. E se o único adulto disponível fosse ela? Seria uma tragédia.
Jamais ganhei algum de seus bingos. Nunca tive um só botão em minha ficha. Ela permaneceu em branco por dois anos. Eu considero o Bingo do Valentão e as atividades infantis que Mrs. Bumbard nos dava para fazer miseravelmente imaturas, inúteis e bobas. Como um jogo de bingo poderia nos ajudar? Não, não poderia! Como podia ela nos dizer o que fazer? Como ousava ela nos tratar como robôs sem cabeças?
Honestamente, eu acho que ela se esforçava para tornar sua aula agradável, mas sua ideia de “agradável” era nos forçar a seguir as regras do seu Bingo do Valentão, por exemplo, ou de qualquer outro plano asinino que ela tivesse em mente. Muitas vezes, eu me imaginei rindo escandalosamente enquanto botava sua aula de cabeça para baixo e dava adeus a todos os meus colegas. Se somente minha consciência me permitisse ser má, realmente má, pelo menos uma vez… Ouvi uma voz atrás de mim me dizendo para arrumar a mesa porque a professora do Specials daquele dia estava chegando. Mal gaguejei a pergunta sobre qual professora seria, pois lá estava chegando ela, Mrs. Bumbard.
Mrs. Bumbard era uma mulher nos seus... 40 anos, acho, com um cabelo curto liso nos ombros, de um loiro apagado. Estava começando a ficar careca na parte de cima da cabeça, dava para ver as raízes do cabelo. Seus olhos eram de um azul desbotado, parecendo, às vezes, bastante tristes, mas, na verdade, mal podia vê-los. A maior parte do tempo, se não toda, tudo o que lia em seus olhos e em seu rosto era simples como oito letras: estúpida. Agora, nesta altura da história, você pode estar se perguntando como ousa esta garota não mostrar nenhum respeito para com os mais velhos. O fato é que eu só mostro respeito para com aqueles que efetivamente possuem uma pequena coisa chamada inteligência. Se eles não a tiverem e se, ainda por cima, não me respeitarem, como foi o caso da Mrs. Bumbard, eu não me sinto na obrigação de dar-lhes nada.
Ironicamente, eu fui a primeira a ser cumprimentada por ela. Isso certamente era devido à “pequena conversa” que tivemos, eu e ela, após a minha supermãe cansar-se da Mrs. Bumbard e escrever-lhe uma de suas cartas. Mrs. Bumbard, por alguma misteriosa razão, vagamente olhava para mim e, sistematicamente, me ignorava todas as vezes em que levantava minha mão para participar da aula. E isso durou o ano inteiro.
Murmurei um “Oi” de volta e dei o sorriso mais realista e amigável possível. O que pareceu extremamente falso. Mrs. Bumbard começou a aula falando sobre o fato de os alunos se conhecerem e blá-blá-blá. Eu não perdi meus preciosos 50 minutos ouvindo-a. Ao invés, tentei ponderar sobre as questões para as quais nunca havia encontrado uma resposta, por exemplo sobre a origem do universo e da vida sobre a Terra. Bem mais interessante.
Mrs. Bumbard pegou uma pequena bola para que a passássemos de mãos em mãos após nos ter apresentado à classe. Começou com o fundo. Conforme a bola foi passando, eu descobri várias coisas sobre meus colegas. Não achei ninguém particularmente atraente ou interessante, mas eles não pareciam ruins. Tinha esse garoto, chamado Zac, muito cheio de si e confortável em sua posição. Estava rodeado por seus seguidores, que o aplaudiam por qualquer coisa, demonstrando-se bastante vazios, mas assim era o seu líder. Do lado das garotas, havia essa menina, Diana, com duas gêmeas uma de cada lado, babando atrás dela.
Helena também parecia ser uma humilde seguidora. Mas quem estaria ela seguindo? Procurei pela sala e a encontrei... aquela garota, Carrie. Suas roupas estilo adolescente eram um tanto provocantes. Sua voz era ainda mais presunçosa do que a do Zac, se isso é possível, e 99% das meninas da classe estavam desesperadamente tentando sentar-se ao lado dela.
A apresentação continuou por um bom tempo, já que as aulas dos Specials acontecem junto a outra turma. A tal Carrie devia, portanto, ser da classe da Mrs. Fawn, nossa vizinha.
Eu fui a última a se apresentar. Quando a bola me foi jogada, soltei um gritinho e me protegi com as mãos. Isso provocou várias risadinhas da classe. Ignorei-as. Disse que meu nome era Beatriz (o que provocou confusos olhares, em parte porque eu tenho uma voz suave, em parte porque esse é considerado um nome “estranho”, e, finalmente e sobretudo, porque eu ganhei a reputação de ser uma garota “esquisita”, “anormalmente inteligente”). Eu contei que gostava de tocar piano e não respondi à pergunta sobre quem seria minha melhor amiga.
Conforme a suposta “amizade” entre eu e Alberta evoluía, assim ocorria com a repulsa que ela sentia por mim. Devo dizer que naquele ano ela fez um trabalho mais sofisticado, agindo falsamente e me apunhalando pelas costas sem mostrá-lo. Apesar de ela tentar não fazer transparecer nada, às vezes eu a pegava me olhando de cara feia e com tamanho ódio que eu quase dava um pulo para trás. Quando ela notava meu olhar assustado, rapidamente voltava à sua expressão inocente. Achei, no começo, que ela não estivesse consciente de suas ações. Elas simplesmente aconteciam.
É verdade que éramos um par estranho. Ela chegava pouco acima da minha cintura. Usava as roupas previstas no código escolar (uma camiseta lisa de gola e calças também lisas; interessante, não?). Eu vestia roupas coloridas e gostava de saias, combinava os meus acessórios e não seguia o código da escola (detesto camisas polo!).
Imagino que, como todo mundo, Alberta classificava meu estilo como excêntrico, minhas meias coloridas até o joelho eram uma vergonhosa aberração, minha altura um perigo ambulante e minhas unhas pintadas de roxo brilhante uma desgraça.
O cabelo de Alberta era crespo e volumoso e, quando eu me abaixava para poder falar com ela, ele acabava invariavelmente no meu rosto. Todas as conversas terminavam com um “Pff, pff, Alberta, corta esse cabelo! Pff, Pff!”. Ou, então, eu tentando desengonçadamente extrair minha pulseira da selva de sua cabeleira, o que terminava com a seguinte cena: eu puxando ferozmente e ela gritando o quanto eu era horrível.
Com o passar das semanas, percebi que Alberta tinha duas caras. Ela era capaz de me dar as costas no meio de uma conversa. De repente, podia virar-se, deixando o assunto pela metade, e começar uma nova conversa “interessante” com, por exemplo, Helena sobre, por exemplo, o novo episódio de Hannah Montana, para mim desinteressante. Chocada com aquilo, eu cutucava seu ombro. Ela me ignorava. Cutucava uma segunda vez, uma terceira. Finalmente, ela virava a mão para mim, como a dizer “espera”, acabando por dar-me um tapa na cara (graças à pontaria falha).
Das minhas experiências com ela aprendi duas coisas. Primeiro, nunca confiar em Alberta para levar adiante uma conversa; e, segundo, sentar-me a meio metro de distância dela, como medida de segurança.
Lembro-me de um dia típico na cantina da escola. Aquele lugar sempre tinha um cheiro nauseante. Naquele dia estava pior do que o normal. Era cheiro de presunto. Não gosto de presunto, mas este estava fora de série, e não num sentido bom. Aquele cheiro intoxicava meus pulmões, enquanto que a tagarelice vazia e os olhares maldosos cansavam minha mente. Por que será que o presunto está pior hoje? Talvez meus pulmões estejam ficando mais sensíveis e detectam comidas envenenadas pelos animais tóxicos de onde provêm. Este pensamento me fez estremecer.
Sentei-me à mesa em meu lugar de sempre, perto do de Alberta. Abri minha lancheira, organizei minha salada sobre o guardanapo esticado sobre a mesa e coloquei meus crackers do lado. Ajeitei meus talheres. Tentei focar somente no cheiro delicioso da minha salada, mas aquele presunto era forte demais. Devo sentir cheiros que muita gente não percebe. Alberta estava ainda na fila, batendo papo com Helena. Entediada, chequei a situação geral. Cheetos estavam jogados e espalhados por toda a mesa. Meus colegas comiam de boca aberta e manchas amarelas nojentas podiam ser vistas presas entre seus dentes, também amarelos.
Alberta finalmente chegou à mesa e, bruscamente, me empurrou para o lado. Deixei passar, não queria acabar sentada sozinha. Ela despejou o conteúdo de sua lancheira na mesa. Eu tentei começar uma conversa com ela, que somente resmungou. Toquei então no assunto de seus sapatos novos e ela começou a falar animadamente e sem parar. Bloqueei boa parte do que ela dizia, nunca deveria ter iniciado aquela conversa, era extremamente chata e sem sentido. Tudo rodava em torno de seus sapatos, o preço que ela pagou, onde os comprou etc. Sério, o que me importa? Será que ela só sabe falar disso? Seria muito mais interessante se pudéssemos levar adiante uma conversa decente sobre matemática, para variar. Não estava afim de passar por aquela tortura.
Helena, finalmente, desvencilhou-se da fila e correu rapidamente para seu lugar na mesa, onde sentávamos. Alberta estava no meio de um papo sobre quão maravilhosa era Hollister (uma loja popular que, para mim, tem roupas muito sem graça). Helena deu-lhe um toque nas costas e eis que Alberta simplesmente se vira, me dá as costas e começa a conversar com Helena sobre roupas e shopping. Brava, chamei Alberta com um toque no ombro. Como podia ela me dar as costas assim? Cutuquei-a no ombro de novo. Desta vez, sua mão voou e bateu no meu nariz. De forma acidental, naturalmente.
Virei-me e dediquei-me à minha salada. Fiquei sozinha, mastigando-a e, novamente, aturando os olhares enfadonhos dos outros com relação à minha comida, pois ninguém sabe o que é a “coisa verde”. Pelo menos os meus colegas não sabem o que é a “coisa verde” sem a “coisa branca” por cima.
À minha frente estava sentado o mais repugnante aluno da classe, Seymor. Na verdade, um dos mais repugnantes de toda a escola. Rotineiramente, e mais de uma vez por dia, ele arrotava e peidava. Gostava de passar o tempo cutucando suas narinas e exibia seus “tesouros” para as pessoas que estavam por perto. Também falava palavrões, o que lhe dava a sensação de ser um cara da pesada. Bom, sinto quebrar seu encanto, garoto, mas isso não vai torná-lo nenhum grandalhão. Xingações e maldições não vão melhorar a péssima reputação que você já tem. Pelo contrário, só o fazem parecer mais patético do que é.
Seymor tinha um pequeno amigo, Rocco, o qual não era ruim, somente um garoto confuso. Está provado que andar com as pessoas erradas faz um monte de mal.
Perto deles sentava o líder de todos os estúpidos. Reprovado três vezes, “Greg”, que eu chamava de Gregory para incomodá-lo, se achava o máximo e fazia poses de durão. Houve uma época em que ele costumava gritar para mim, seja na classe ou quando caminhávamos em fila para algum lugar: “Eu te odéio! Eu te odéio!” “Por quê?” Perguntei-lhe várias vezes, no começo assustada, depois curiosa, finalmente triste. Ele não respondia, repetia, “Eu te odéio!”. Essa situação só encontrou um fim quando minha mãe escreveu uma de suas cartas para a professora. Mrs. Bird teve uma conversa com ele e com a classe em geral. Daí ele virou para mim só Gregory, e perdi qualquer respeito por ele. Aposto que não saberia dar um soco. Aposto que eu era mais forte do que ele. Uma vez, vi- o tentando intimidar uma criança dizendo que ele havia atirado na polícia. Ri alto. Ele sentava em outra mesa, ri mais alto para que ele pudesse me ouvir. Eu não tinha medo, porque tudo nele era pose. Como a maior parte das pessoas da escola, tudo pose. Tudo falso.
Por minha tristeza, eu sentava na frente dessas pessoas em todos os almoços. Não podia ir para o fundo da mesa, pois lá estavam Diana e Zac. Não poderia ficar no meio, lotado, porque era o lugar dos seguidores dos dois. Além disso, eu pensava, sentar na frente era melhor, pois as professoras que vigiavam a sala poderiam fazer alguma coisa caso alguém fosse mau comigo. Isso se elas tivessem a capacidade. Isso se elas se importassem. O que não era verdade em nenhum dos dois casos. Mesmo assim, eu preferia sentar na frente.
O bafo de alho de Seymor alcançou meu nariz. Tive vontade de vomitar na cara deles. A hora do almoço era um desastre, como sempre. Eu era constantemente acotovelada no ombro pela “distraída” Alberta. Observações arrogantes, arrotadas pelas minhas costas, vinham dos lábios gordurosos dos “populares” atrás de mim. Simplesmente, um momento mágico.
Só tive o prazer de perceber a real maldade da minha inteira classe umas semanas mais tarde. Eu estava atarefada fazendo meu teste de matemática e tentando bloquear com o meu braço as constantes espiadas da parte de muitos. Boa parte da classe estava olhando fixamente para o papel. Só isso, e com as caras mais engraçadas do mundo. Helena ostentava-se como nunca. Diana competindo com ela. Concentrei-me em meu trabalho.
Vários minutos depois a classe havia terminado. Todos agora estavam olhando fixo para o relógio, como se, olhando para ele, fossem fazê-lo andar mais rápido. Levantei o olhar do meu livro e pus-me a pensar nessas pessoas. Pessoas muito simples e, mesmo assim, complicadas. Perguntei-me por que elas estavam tão obcecadas em ir para o recreio.
Eu era a única que parecia achar que a aula, aliás, que aprender era uma coisa agradável. Para o resto, era pura tortura. Minha mente não podia compreender isso. Eu sempre amei ler. Os outros não podiam tocar um livro da mesma forma como eu não podia chegar perto de um desses filmes de horror. Eu não conseguia entender por que eles detestavam a escola tanto assim. Chamavam-me de chata só porque eu não considerava que a principal função da escola era encontrar-se com os outros. Para mim, a escola serve para aprender, não para ir ao recreio, não para comer, não para fofocar. Para mim, esta é a mais simples das necessidades humanas. Ou seja, a busca pelo conhecimento.
Mal podia ouvir o que Mrs. Bird estava agora dizendo.
Estranhas coisas acontecem quando tenho essas minhas “sessões de pensamento”, como eu as chamo. Elas podem acontecer a qualquer hora e em qualquer momento, e bloqueiam tudo o que está à minha volta, sobretudo a vista. Nesse espaço etéreo, branco e vazio, eu sigo o desenvolvimento de meus pensamentos, observo meus sentimentos e decoro esse lugar com todas as coisas que sinto. Há vezes em que é como se eu estivesse num quarto escuro e alguém conversa comigo, o que geralmente acontece quando estou sozinha. Acredito que seja minha consciência. Não a temo. Não. Pelo contrário, dou-lhe as boas-vindas de braços abertos porque, quando preciso dela, ela está sempre lá. Minha amiga
Felizmente, toda vez que tenho minhas “sessões de pensamento” o que está acontecendo do lado de fora é irrelevante. De fato, foi bom eu não ter ouvido muitas coisas, porque senão estaria muito mais machucada do que estou. Percebi que precisava parar de pensar. Tristemente, dei adeus aos meus pensamentos e os guardei no peito. O que a professora estava dizendo? Prestei atenção.
“Agora, turma, podemos sair – olhos ansiosos a fitaram, e os de Diana finalmente estavam enormes – ou ficar aqui e continuar”. Sua voz estava cansada quando disse isso, ela sabia que ninguém iria escolher esta opção.
O primeiro voto foi feito. Todas as mãos se levantaram. Todos queriam sair. Todas as mãos, exceto uma delgada e longa, a minha. Todos me olharam. Em alguns olhares eu li confusão; em outros, ódio; e havia até pessoas que tentaram levantar minha mão à força. Eu, gentilmente, soltei-me de sua presa. Meus olhos falaram por mim e disseram que eu havia tomado minha própria decisão e que nada poderia mudá-la.
O segundo voto foi lançado. Quem queria ficar na classe e continuar com a aula de ciências? A minha mão se levantou. Ouvi vozes sussurrando que eu estaria estragando tudo. Como são estúpidos, eu não iria estragar nada. Estaríamos saindo, pois esta é uma democracia. Eles tiveram mais votos. Pro inferno a democracia. Pro inferno tudo.
Gostaria que fosse uma ditadura. Eu ficaria no meio da classe com minha professora e faria chover, e diria para todo mundo que ficassem calados porque iríamos fazer ciências. Ponto. Que pena que não era assim. Tristemente, peguei minha lancheira e caminhei para a porta. O céu estava azul. Eu, de novo, diferente de todo mundo, detesto dias de sol. Gosto quando está cinza lá fora e talvez uma tempestade se aproxima e a grama fica depois toda molhada e fresca. Eu sabia que este não seria um bom dia.
Ao sair pela porta recebi um silencioso olhar de obrigada da Mrs. Bird, e me senti um pouco melhor. Pelo menos, alguém apreciava meu intenso desejo de aprender. Não pude levar meus livros, porque estavam usando a mesa para as lancheiras. Tive o impulso de jogar aquelas lancheiras do outro lado da grade, fechar o portão a chave e sentar-me à mesa para ler. De qualquer jeito, eles já comem demais, deveriam me agradecer pelo gentil serviço. Se eu tivesse feito isso. Se somente tivesse.
Fui caminhar pelo campo de futebol, sozinha. Imagino que devo parecer bastante estranha durante minhas “sessões de pensamento”. Uma vez, fiz isso sem querer na frente do espelho, para me ver depois olhando pro nada e suspirando. Acho que estava fazendo isso de novo, pois me senti abruptamente interrompida por uma batida nas costas. Eram Diana e Helena, seguidas por um grupinho de garotas vazias atrás delas.
“Tipo, por que você não gosta de não ir para fora?” Helena disse.
“Dupla negativa”, foi minha resposta.
Afastei-me com passo rápido. Elas me alcançaram.
“O queêê?” Helena e Diana insistiram.
Suspirei, lá vamos nós de novo. Preciso dizer-lhes mais uma vez que eu gosto de escola, e outras coisas complicadas que elas não conseguem compreender. Seria como dizer-lhes que há vacas voadoras atacando suas cabeças.
Murmurei entre os dentes que eu gosto de escola.
Seus queixos caíram uns 5 metros para baixo e seus olhos se escancararam. Juro que poderia entrar com um caminhão em suas bocas. Inutilmente, olhei-me em volta procurando por um caminhão. Droga! Nenhum caminhão disponível, só lancheiras. Poderia usar isso... Eh.
Continuaram me seguindo pelo resto do dia, zumbindo como uma colmeia alvoroçada. Pelo que sei, deixei escapar uma peça crucial de informação que elas iriam usar contra mim. Pelo que sei, foi então que suas palavras julgadoras começaram.
Não houve uma só pessoa sã na minha classe. Não houve uma só pessoa que não me apunhalou pelas costas.
Sentia-me uma estranha, completamente. Eu era um flamingo que tentava se encaixar no meio de um bando de pombos cinza. Um flamingo que, sentado à janela, com seu binóculo, estudava cada reação e expressão que podia ver, e as escrevia num caderno. Sentia-me como uma cientista estudando uma espécie muito comum de bactéria e, apesar do trabalho ser monótono e desagradável, eu tinha que continuar.
Sim, eu sou um patinho feio. Feia aos olhos deles, mas, de fato, sou um cisne. Cisne que não pode ser um patinho, por isso, naturalmente, sou feia! Algo dentro de mim ansiava por encontrar um pequeno sinal de inteligência. Ansiava por estar com pessoas do meu tipo. Sentia-me tão terrivelmente fora de lugar. Como uma peça redonda que não cabia no quebra-cabeça do mural da classe. Uma peça redonda e não um fragmento, uma parte. Eu era um quebra-cabeça completo em mim mesma.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
KAPOW
Huffing, he emerged from the nasty gases still being produced by the Cigarette factory. A distinguished figure could be formed now, his gray blob of a buddy was taking shape into a being far more grotesque. His mouth quivered with hate, as leveled with Princess Hafandi. His hollow eyes glared at Hafandi with such immense hate, surprisingly fearsome, considerig his eyes were two empty hollows. With intense speed, he raised his his fist and punched Hafandi up her chin. Infuriated, she blew him away. Gargolium was taken back by the strong blow, and landed smack on on the side of a building. Shrieks were heard by the agitated mothers trying unsucessfully to calm their children. Gargolium ignored the hubbub and proceeded towards Hafandi menanciling. With a deep growl that shook the most secluded spots on the universe, he then wrestled with Hafandi. Hafandi noticed something strange though. It seems as Gargolium’s body was made entirely of runing filth from the factory. With swift steps she ducked Gargolium’s punch and tuck and rolled to grab a trashcan. She forcefully stuck the garbage can on top of the nasty smoke chimney. With a hair raising growl of pain, Gargolium sank once more to his destined doom.
Meanwhile, Malrior finished collecting the trash and met Hafandi at their office for superhero cases to find The Grapper eating a family sized bag of Dorritos. Hafandi immeaditly yelled at him fiercely for leaving grumbles on their pink carpet. Grapper defendid himself by saying he wasn;t the one who chose the pink carpet anyways. Hafandi was ifuriated, and Malrior tryed to calm them down.
AND THAT WAS ANOTHER CASE OF VILLANS VS. HEROES. TUNE BACK IN TOMORROW FOR ANOTHER EPISODE OF....
“ KAPOW. THE SERIES”
sábado, 18 de julho de 2009
A Football’s Ordinary Day... Or Is It Really?
Sailing through the sky, Wallie landed roughly on the grass. “Ouch!”, he exclaimed, but of course, being a football, none could hear him. There were dumb glances constantly being shot at him, by the savage “football” players. Now that Wallie thought about it, he barely knew what exactly football was. What he could tell was that it was ball massacre--that was for sure.
Wallie bit his tongue thinking about that rough fall. He wondered the exact point to this hooligan ball tossing. He giggled remembering their ignorance, particularly at that one time when Johnston dived and grabbed him, but clutched a squirrel instead. The team spent 10 minutes celebrating their victory, only to find out they had been fooled.
He was interrupted by the team “hutting” down to grab him again, and Wallie moaned. “Not again!” He thought. A pair of scratchy hands lifted Wallie clumsily, and he made, yet again, a flight throughout half of the football field. Wallie could see his whole life flash before his black eyes. Soon he thought, “My doomed minute will come!”
He remembered when he was a little boy, and how he was first grabbed by the loving hands of the Coach’s daughter, Anne-Marie, and he remembered being dumped on the cart, along with a gooey substance Wallie didn’t dare to name. He remembered escaping Larkson by a yard, and to the very confusion of the players, rolling fiercely towards their feet. He recalled the time when Timmy, the soccer ball, came to visit him. He felt that jealousy again, as he suffered when he met Timmy. Of course, being a completely spherical shape, he could roll all he wanted away from the soccer players. But Walley? No, Wally had to roll in an awkward position, which often meant smashing his nose against some twigs.
He remembered once being forgotten near the sock pile in the bathroom showers, and how he was forced to spend the night locked inside those stinky monster socks. He remembered how he escaped in a chilly evening to watch a concert. He believed it was Hilary Duff, if he wasn’t mistaken.
He let a soft whimper escape him. That’s it! He thought. He couldn’t take it. He would run away. Marvelous idea! Why hadn’t he thought of that earlier? After he hit the ground and bounced to the bushes, this was his chance. Carefully, using his rolling tact, which got him out of so many practices, and had been perfected for so many years, he rolled his body to a nearby park. He arrived panting near an iced tea stand. Out of breath, he rolled over to grab a small iced tea which was flung uncarefully by a man in his mid-30’s.
14 minutes later, and with much sweat (again due to his unfortunate shape), Wallie sipped his iced tea on a park bench. He was relieved at not being at practice. He began to want to start a new life. Perhaps, one near the swans and the sparkling lake. He sighed in relief.
His body ached tremendously, but he managed to smile in palliation. He carefully rolled over sideways to contemplate the beautiful summery and shimmed sky, with the glimmering lake twinkling below the glorious rays of the sun.
domingo, 5 de julho de 2009
Marshmallow’s Naming
Wagging it’s tail, the dog trailed in the house, leaving swampy paw marks in it’s path. The girl was very happy, bouncing with glee. Little 8 year old Marianna always wanted a dog, and she finally got one. It all started as she was roller blading across the Mississippi park, and found a big adult dog, with it’s pinkish tongue hanging from it’s mouth. Marianna was intrigued by this furry little guy, and brought it home. With slobber and mud trailing behind him (they later found out it’s gender), he approached the home. Marianna mom was flabbergasted, and commanded her to take him back to the park. After much time discussing the dog’s faith, and reminding her mom of her own childhood lonely days with the yearning for canine companion, and how she had no friends, and worked at her family’s store. The mom finally gave in, and decided she in fact, always wanted a dog. Now little Marianna sat in the living room floor, wondering what kind of name to give the pooch, and trying her best to keep him out of trouble. Deep in thought, she was dumbstruck by clattering hubbub in the kitchen. She ran like the wind, to find the fella staring at her with his big sweet eyes and floppy ears, with dishes, plates, silverware, and the extra boxes of cookies tossed over the kitchen’s newly washed floor. What intrigued the little girl, was that the moving boxes were thrown down on the floor, and the white stuffing that resembled marshmallows were placed on the dog’s coat. “That’s it!”, she thought, “I’ll name you Marshmallow!”.
And that was how Marshmallow, the much beloved dog of the neighborhood, got his name.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Disaster At Brain Cell - The Brain. Series: In the Human Body
" Error, Error, evacuate, evacuate, danger, danger", the machine blurted out. "Everyone, evacuate the building!", the head brain cell commanded. Tension filled the air, as Milephew shouted orders. Brain cells were scattered everywhere, trying to use their little nomadic legs to carry them accros the brain, and into a safer location. Milephew bit his lip nervously. He had to say strong, he told himself. How could this have happened? How could the brain have such damage? What exactly went wrong? he flashed back to the time when the two nervous cells couldn't connect, which was just before the body was born. Just a month later the mannequim owned by the supreme commander backfired, and they were taken to a white room, whom the brain had no knowledge of. Now, 2 weeks later the body was really backfiring, and all the stress went up to the brain, and all the cells were working overtime to protect everything they were responsible for. Milephew awoke from his flashback with a startle, because he felt something squishy poking his arm. The red light was now becoming blinding, and he could see several dead cell bodies being scattered accross the floor.
Author's Note: This is so far my favorite story, perhaps I shall do another chapter?
